No último dia 19 de abril, ocorreu um evento histórico para o campo da ciência animal, um grupo com mais de 40 especialistas de renome mundial se reuniram em Nova York para assinar a Declaração de Nova York sobre a Consciência Animal, entre eles o famoso filósofo da mente David Chalmers.
A declaração representa um passo crucial no reconhecimento dos animais como seres sencientes, com direitos e necessidades que merecem ser respeitados. Ela se baseia em um conjunto crescente de evidências científicas que demonstram a complexa vida interior dos animais, desafiando a visão de que eles não tem consciência ou subjetividade. Segundo a declaração:
“a evidência empírica indica pelo menos uma possibilidade realista de experiência consciente em todos os vertebrados (incluindo répteis, anfíbios e peixes) e em muitos invertebrados (incluindo, no mínimo, moluscos cefalópodes , crustáceos decápodes e insetos).”
A Declaração de Nova York não se limita apenas a reconhecer a consciência animal. Ela também serve como um apelo urgente à ação, sugerindo que a sociedade a reconsidere a forma como trata animais, afirmando que:
“quando existe uma possibilidade realista de experiência consciente num animal, é irresponsável ignorar essa possibilidade nas decisões que afetam esse animal. Devemos considerar os riscos para o bem-estar e utilizar as evidências para informar as nossas respostas a esses riscos.”
Desde 2012, não tínhamos um documento que reunia grandes cientistas em favor da declaração de consciência em animais. Na época a Declaração de Cambridge sobre Consciência em Animais Não-humanos, obteve grande relevância ao declarar que:
“A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que os animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente como a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos”.
Declarações com grandes grupos de especialistas como estas ajudam a reforçar a ideia de que os animais são sencientes, indivíduos que podem ser prejudicados e beneficiados, e por isso devem ser respeitados.
Ainda existe muita confusão sobre o termo senciência, por vezes sendo usado como um pensamento de segunda ordem (onde o ser precisa pensar sobre a experiência que teve), no entanto, o termo tem a proposta de simplificar o conceito de consciência, sendo utilizado para qualquer ser que tem experiências internas e subjetivas, sem necessariamente precisar refletir sobre elas.
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