O veganismo é elitista?

Há muita desinformação sobre o veganismo, pois, por ser uma ideologia ‘nova’ e de contracultura frequentemente ela é relacionada à status social, assim acaba ocorrendo de ser taxada de elitista, o que na prática não é necessariamente uma verdade, vejamos o porquê.

Será o veganismo elitista?

Para responder tal pergunta precisamos primeiro definir e entender o que é elitismo. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa elitismo significa:

  1. Sistema sociopolítico que visa a formação de elites, mas que despreza as massas.
  2. Consciência ou convicção de pertencer a uma elite.
  3. Convicção da superioridade das elites e dos seus membros.

Nas definições do dicionário Aulete:

  1. Sistema que privilegia as elites e lhes atribui maior poder e influência que o da maioria da sociedade
  2. Atitude, concepção, opinião favorável a esse sistema
  3. Crença na superioridade das elites
  4. Convicção de pertencer à elite e comportamento daí decorrente [F.: elite + -ismo]

Quando alguém diz que o veganismo é elitista isto tem o sentido de proclamar que ele exige um estilo de vida acessível apenas as classes mais abastadas, associa-se, portanto, a ideia de ser algo caro.

Num segundo sentido diz-se que o veganismo é elitista porque demanda acesso a informação e esta não está disponível às pessoas de todas as classes sociais.

Numa última concepção é a moral, onde os veganos dizem que estão com a razão e por isto são elitistas. Vamos abordar abaixo estas questões.

O veganismo é caro?

Mercadologicamente falando o que acarreta valor aos produtos é, supostamente, a qualidade na qual ele é oferecido, sendo comumente este ligado a marca que o oferece, e também sua disponibilidade. No que diz respeito a produtos na alimentação, há vegetais caros e vegetais baratos, assim como há carnes caras e carnes acessíveis. Além da classificação qualitativa do produto, a comodidade influencia muito para o encarecimento, sendo os congelados, industrializados e pré-prontos, bem onerosos – isto no Brasil – e com valor maior, sejam eles feitos para o público vegano ou não, porém os produtos veganos são ainda mais caros pela menor demanda.

Atualmente empresas que comercializam produtos veganos industrializados encarecem os produtos por conta de ser ainda um mercado de nicho – podemos chamar isto de elitismo, mas é por conta dos capitalistas se apropriando deste mercado para lucrar e não se importando verdadeiramente com uma causa -, mas com o constante crescimento do veganismo os preços tendem a abaixar pelo aumento de concorrência e do consumo. Inversamente, é bem provável que a carne produzida de forma comum vá encarecendo com o passar do tempo visto que as grandes indústrias pecuárias devem ter custos de produção mais elevados devido a degradação do meio ambiente, no qual elas mesmas colaboram.

No quesito roupas, é bastante fácil encontrar coisas baratas que não tenham lã, couro e seda. É, ainda, um pouco difícil encontrar produtos de limpeza, higiene e cosméticos que não testam em animais, mas a internet traz listas e listas deles para facilitar, não tornando isso inacessível.

“Já algumas vezes ouvi que o veganismo era elitista. Nunca realmente parei para pensar profundamente nisso, porque, numa análise superficial, era uma resposta fácil: a alimentação vegana não é mais cara, apenas se você quiser incluir itens ditos gourmet, como está tão em voga agora, não apenas no veganismo. De certo modo, as comparações que apareciam traziam uma falsa simetria, já que mostravam, lado a lado, salsicha comum e salsicha vegetariana, ou requeijão comum e requeijão vegetariano, mas não analisavam que, normalmente, os produtos vegetarianos estritos eram fabricados com ingredientes orgânicos (e não restos, como com as salsichas tradicionais), por empresas pequenas, com maior respeito aos seus trabalhadores etc e tal. Eu entendia (e, nesse ponto, ainda entendo) que, para ser justo, deveríamos comparar produtos equivalentes. Se for usar como base um produto vegano gourmet, compare-o a um onívoro gourmet também.” (Aline Sette Brüggemann)

Devemos lembrar que o conceito de caro e barato é subjetivo pois é sempre relativo ao local onde uma pessoa vive, a sua renda, a suas prioridades de gastos e em geral a sua valoração das coisas. Dito isto, é preciso ressaltar que o veganismo tanto pode ser extremamente barato como extremamente caro, assim como um estilo de vida com consumo de produtos de origem animal, produtos veganos não são acessíveis apenas à elite, ou as classes mais abastadas, afirmar que ele é elitista por ser caro é um argumento que não se sustenta.

A informação é elitista?

No curso da história o acesso a informação, a educação e a diversidade cultural sempre foram coisas elitizadas. As classes sociais com maior poder econômico e de compra sempre tiveram mais acesso, isto é fato. Porém, estamos sofrendo uma transformação social com a internet, a informação está sendo democratizada e o diálogo entre grupos de pessoas de diferentes locais, classes, credos e ideologias têm sido maior. Em contraponto, a internet traz consigo muita desinformação, pois possibilita que todos criem conteúdo e isto pode dificultar o aprendizado, ao invés de melhorá-lo. Cabe então a cada um filtrar o que se consome e isto depende capacidade do pensamento crítico, o que dificulta a adesão por ideias inclusivas e de progresso social. Assim, todas ideologias e movimentos pela que prezam por equidade, igualdade, emancipação e libertação — das mulheres, dos negros, dos gays, dos pobres e até mesmo o conhecimento científico — tendem a ser ditas elitistas no que diz respeito ao acesso a informação.

Conclusivamente, toda informação que exige transformação da sociedade, mudança de hábitos e não tem sua criação diretamente por pessoas de baixa renda pode ser dita elitista, exatamente por não partir e ter difícil acesso à todas as classes sociais, todavia, conservar hábitos destrutivos quando podem ser mudados também é.

Quem pode ser vegano?

Poder aqui tem sentido de ter condições, e tem condição de ser vegano qualquer pessoa que tenha um mínimo de poder aquisitivo.

No caso do veganismo, há uma demanda além da mudança de concepção moral, uma mudança de consumo, então diferente dos outros movimentos de libertação há este agravante na sua adequação.

A informação não é para todos e escolher o que comer todo dia é privilégio. Há muita gente que passa fome e muita gente se mata de trabalhar para por o que comer no prato. Muita gente não tem tempo. Mas, honestamente, pensando o veganismo como uma transformação social e não apenas como ideologia, será mesmo que são estes que os veganos pretendem e cobram para que virem veganos primeiro?

É bastante difícil que o veganismo seja integralmente aplicável à quem vive de cesta básica, de doações ou que sustenta uma família apenas com um salário mínimo e praticamente impossível para quem vive de subsistência, todavia, os veganos não passam horas debatendo argumentos com pessoas que não tem condições mínimas para tal mudança. Eles não obrigam pobres sem condições de escolher o que comer a seguirem este concepção filosófica-política e estilo de vida. A própria definição de veganismo traz a ideia de ser aplicável na medida do possível e praticável, e veganos sabem – salve raras exceções – que onde há miséria a sobrevivência prevalece.

Além de onde não se tem condições, não é todo mundo que se propõe a ter tempo ou disposição para estudar e consequentemente mudar a consciência no que diz respeito a violência cotidiana. Quando se cobra tais pessoas e exige que elas deixem seus comportamentos racistas, sexistas, especistas e outros aquele que o faz é costumeiramente taxado de elitista. Todos os ideais que rejeitam preconceito, discriminação e opressão chegam a passos lentos à lugares periféricos, logo, qualquer corrente em movimentos sociais que falem que o mundo deve ser mais pacífico com discursos abrangentes sem se dedicar a atingir as camadas mais pobres será acusado de elitista, mesmo que não tenha esta proposta. Veganos corriqueiramente postam algo dizendo que o veganismo deveria ser o padrão, que todos devemos respeitar os animais, pois animais são indivíduos, e isto não é elitista, é uma crítica e não uma imposição, ou seja, a menos que se aponte uma arma obrigando alguém que não quer ou que não tem condições de ser vegano a ser tais ideias não são autoritárias, na prática não há veganismo elitista, no máximo discursos que soam prepotentes por exigir mudança social de forma generalizada. O discurso vegano pode parecer direcionado para todas as pessoas, mas se ele não pode ser assim, deveriam as pessoas que tem condições se tornarem veganas, o que não acontece. Uma coisa é ter uma boa justificativa para não mudar, outra é negar que é possível ou ficar sempre no querer adiando os privilégios.

Outro ponto é, pessoas realmente pobres não ditam os padrões de consumo, quem faz isto são as classes privilegiadas, eles que detém poder de compra. O veganismo é possível para grande maioria esmagadora destas pessoas, das que tem acesso a internet e ao mercado, mas é necessário romper com a visão de que animais podem servir de produtos. Fato é que ser vegano requer um mínimo de poder de consumo e muita força de vontade.

Sabendo que a crítica deve ser primeiramente direcionada às classes que podem ser veganas – aquelas com o mínimo de poder aquisitivo – se sucederá um efeito cascata visto que estas que detém os poderes econômicos e podem transformar a opinião pública de forma mais efetiva. À medida que o direito animal é divulgado, debatido e compreendido o senso do público é modificado. A condição de um indivíduo é importante para uma mudança, mas além daqueles que pertencem a uma classe extremamente pobre (a classe C/D para baixo) consumir animais é mais uma questão cultural do que financeira visto que o veganismo é possível, isto me leva a crer que é mais difícil romper com o hábito e tradição que vem a milhares de anos de consumir animais que de fato ter acesso a produtos que não venham disso. Se dispor a uma mudança de hábitos que demandam abrir mão de privilégios e sair da zona de conforto, não revela-se fácil para todos, talvez para a minoria, e é por isto que o conservadorismo – em suas diversas faces – prevalece massivamente nas sociedades, inclusive o fato das pessoas que têm condições não serem veganas.

A maioria das pessoas que fazem textos anti-veganismo não se enquadram nas exceções, que sobrevivem por conta da carne. E isto é irônico. Vê-se que geralmente quem faz textos dizendo que o veganismo é elitista e outros textos anti-veganos são justamente pessoas que tem plena condição de serem veganas. O nome que dão para isto é tokenização — quando, em uma posição de privilégio, uma pessoa usa sua relação ou suas interações com outra pessoa de uma camada oprimida pra justificar um ato seu. Isso acontece, por exemplo, quando alguém que não é pedreiro diz que os veganos são elitistas e não sabem que um pedreiro precisa de carne para consumir muita proteína e não passar mal, ou quando alguém diz que tem um tio que está imerso em outra cultura e aprender que carne significa sucesso mas não está imerso nesta cultura, portanto está usando do outro para justificar seus atos.

Exercício rápido: Deveria ser óbvio para todos que outros indivíduos não estão na condição uns dos outros. Agora pense, você vive da subsistência ou numa vida extremamente opressiva onde não há possibilidade alguma de ser vegetariano? Se a resposta for não, é simples, é justamente por você ter acesso a informação e por não passar fome que deveria sê-lo, então a impossibilidade dos outros não justifica a sua irresponsabilidade. Não use os outros como desculpa, isso é desonesto.

Quem faz recortes sociais para defender o consumo de carne feito pelos ‘pobres’, dizendo que é uma necessidade para eles e tem condições de se tornarem vegetarianos e veganos não fazendo isto, não dão argumentos que acreditam de verdade, pois se assim o fosse, seriam aplicados na própria vida. Eles fariam alguma coisa para ajudar os animais e não simplesmente atacariam o veganismo. Soa bastante desonesto usar pessoas pobres para querer justificar a própria exploração, e fazer esta tokenização de índio ou de alguém extremamente pobre e/ou desinformado justificando os próprios atos.

Os gostos pessoais de cada um não são importantes para discussão do veganismo, mas podem mostrar se as pessoas realmente acreditam naquilo que dizem. O preço de uma cerveja ou de dois cigarros, por exemplo, é superior ao de uma refeição vegana e muitas pessoas que reclamam do “preço” de produtos veganos tem hábito de consumir produtos assim, o que pode nos levar a pensar que a argumentação contra aderir ao veganismo é comodismo, uma incapacidade de estabelecer prioridades. Será que alguém problematiza o consumo de cerveja e cigarro falando que são elitistas? E olha que estes produtos podem nem ser  provindos diretamente do sofrimento ou da violação da vida de outros indivíduos. Por que pegam no pé dos veganos mas não de tantos outros que tem condições? Isto me leva a crer que é um mecanismo de auto-defesa e não uma crítica construtiva como dão a entender quando taxam o veganismo de elitista.

Qual moral é elitista?

Moralmente falando, cobrar que as pessoas respeitem outros indivídos, sejam eles humanos ou não, não é elitismo. Fazer recortes sociais não quer dizer que não se deve lutar contra o especismo, contra o machismo, contra a homofobia, contra a transfobia, contra a pobreza e contra outras lógicas de superioridade que sustentam opressões, e sim que devemos saber as prioridades nestas ao exigir-se tais mudanças, a auto-crítica revela que deve-se fazer um ativismo de base forte e sempre ter disposição a ser didáticos ao dialogar — mesmo que isto pareça bastante difícil.

Quando está a se fazer vítimas o elitismo está em manter os velhos hábitos defendendo posições conservadoras. Isto acontece quando não somos veganos e colocamos nossas ‘necessidades’ — que tem alternativa — acima das necessidades fundamentais dos animais, ironicamente se falarmos isto corremos o risco de sermos taxados como elitistas. Quem tem condições de ser vegano e não o faz, está sendo – moralmente – elitista, pois promove algum tipo de superioridade, onde aquele que é considerado “inferior” pode ser subjugado. Não veganos que acreditam na inferioridade dos animais são por definição elitistas morais.

Um vegano é “superior” a um não vegano? Pensando como indivíduos que são, pela lógica, não, já avaliando a moralidade da conduta de ambos, podemos saber que uma é mais prejudicial que a outra, e portanto, uma conduta é melhor, a outra pior. A ideia de que evitar sofrimento quando se pode é superior a de que podemos explorar indivíduos vulneráveis e causar-lhes sofrimento. Proteger direitos fundamentais é – quase sempre – moralmente superior a ideia de rompê-los. Assim, é moralmente elitista querer manter os hábitos por que eles são melhores para si, tornando irrelevantes os direitos dos outros. Quandos os julgamentos morais não são universais e usados para favorecer apenas uma classe, e em detrimento dos seus interesses, isto é elitismo moral, logo quem explora animais tendo condição de não explorá-los é elitista. Sendo assim, o antropocentrismo moral tem uma lógica de elitismo, já o veganismo, que propõe ideia inversa, não.

Deve-se parar de cobrar mudanças e deixar em paz pessoas que colaboram diariamente com a violência para não sermos taxados de elitistas? Parece que abrir mão do ativismo não é a melhor opção. Não é necessário que as pessoas se entreguem a uma causa social, mas ter consciência que abrir mão daquilo que diz respeito ao sofrimento dos outros deveria ser o mínimo que prezamos.

Não são todas as pessoas que se dispõe a buscar alternativas para não prejudicar outros, que se importam com o sofrimento dos outros e que veem necessidade de mudar, a consciência moral das pessoas pode ser bastante limitada, e estas são elitistas. A ética não faz sentido para todas as pessoas, muitas são egoístas e profundamente acomodadas, soma-se ao fato que o relativismo moral e a defesa de quaisquer que sejam os privilégios é absurdamente fácil de se fazer do ponto de vista prático, não que isto quer dizer que estejam certas numa perspectiva da redução do sofrimento e da melhora da sociedade.

Necessidade ou egoísmo?

Tal visão já foi suprida com o conhecimento que detemos. Cientificamente falando hoje é possível afirmarmos que as dietas vegetarianas são seguras, assim fazemos em regra isto por prazer e não por necessidade, isso deveria bastar para que devêssemos reconsiderar o ato de alimentarmos a partir sofrimento dos animais. A não ser em casos de exceção, onde uma pessoa não pode sobreviver ou se manter razoavelmente saudável sem o consumo de carne deveríamos abrir mão disto – e não nos fazermos de vítimas.

O sofrimento animal causado para alimentação anterior a atualizações científicas na área da nutrição podia ser justificado, afinal não se sabiam os riscos de uma dieta vegetariana, mas agora que sabemos bem tais riscos podemos nos precaver deles – lembremos que as dietas não-vegetarianas parecem apresentar mais riscos que as dietas vegetarianas, pois há mais doenças relacionadas a dietas ricas em produtos de origem animal que em dietas sem eles. Isso infere que a justificativa do consumo de carne para alimentação para quem tem consciência que isto não é mais necessário é mero autoritarismo, as justificativas que prevalecem tem base no antropocentrismo moral. Tal visão ideológica-moral pode ser substituída-atualizada por visões morais mais objetivistas, como é o caso da proposta do veganismo que se baseia na senciência (um princípio inclusivo) e não na característica “humana” (um princípio exclusivo).

Bom, é fato que na natureza os animais se matam na luta pela sobrevivência. É fato também que nós somos animais. Somos animais-humanos e podemos questionar: até que ponto a natureza “selvagem” deve reger nossas ações? Devemos nos limitar a racionalidade apenas quando ela nos interessa num discurso hipócrita abdicando aos animais o bem-estar e o direito a suas vidas?

“Somos civilizados o suficiente para vivermos em cidades mas não para negarmos a caça? – se é que podemos relacionar indústrias exploratórias com isto.” (Helena Baccega)

A questão se estende a outras coisas completamente desnecessárias que criamos. Apesar da exploração animal surgir de um processo predatório natural e anteriormente poder ser dita como necessidade, hoje, em sua maioria, é fruto da soberba humana, da ignorância, da falta de análise crítica, da maldade. Além disso, os animais hoje foram aderidos a lógica do capitalismo, do lucro, são produtos, servos, escravos e não mais mero alimento. Eles ainda são usados em eventos esportivos, em estudos científicos irrelevantes. Mesmo com alternativas eles são usados para produtos cosméticos, para suprir a vaidade humana. Os animais nascem hoje não por conta de suas gestações em processos reprodutivos-sociais normais, são condicionados a se reproduzirem com ou inseminações artificiais e contraditoriamente apelamos à natureza para justificarmos tais coisas.

Muitos negam mas animais são indivíduos e não precisamos ler muito para chegarmos a tal conclusão. O cachorro que vive na minha casa não é o mesmo ser que o cachorro do vizinho e ambos não são iguais o cachorro da casa dos meus primos, e isto não se restringe apenas a cães e gatos. Apesar de outros animais serem menos expressivos em relação a nós, eles têm de alguma forma sua subjetividade, são sujeitos diferentes. As vacas não são iguais, os porcos, as galinhas e praticamente todos animais que matamos não são idênticos, afinal, animais não são clones. Por que então continuamos a fazer isto sem boas razões para tal? A única explicação plausível é que de alguma forma maquiamos nossa consciência fazendo um apelo à cultura, à humanidade que viveu em outros tempos ou mesmo à humanos que vivem em condições extremamente ruins – as exceções. Nesta questão só há 4 caminhos: Se não sabemos somos ignorantes, se fechamos os olhos preferindo não mudar somos covardes, se sabemos e continuamos nisto somos profundamente egoístas e se sabemos e mudamos somos éticos.

Consumir animais não é uma necessidade fundamental (ou uma espécie de legítima-defesa) em sociedades onde a população acesso a tecnologia, ciência e um mínimo de poder aquisitivo, assim a mudança se faz necessária.

___

Eu não sou nenhum sociólogo que tenha pesquisado a vida das pessoas mais miseráveis na questão financeira, sei que elas existem, mas sou um vegano pobre, morador de periferia, e assim como eu, a grande maioria das pessoas que conheço ali poderiam ser veganas se tivessem dispostas, assim como todas as pessoas da minha família moradoras de uma cidade de interior pequeníssima, de todos os meus amigos e da maioria das pessoas que tive contato pelas redes sociais. Não houve alguém que eu conhecesse intimamente que não pudesse ser vegano, mas estas pessoas são veganas? Não. E falar para elas sobre veganismo é elitismo? Não. Elas tem seus motivos para não mudarem, isto não quer dizer que sejam sustentados por ótimas lógicas – acabam sempre apelando para falácias naturalistas, religião ou mesmo ao relativismo cultural. Não é elitismo cobrar mudanças para quem tem condições de fazê-las, mesmo que estas pessoas, imersas em seus privilégios, não queiram.

Conclusões

  • O veganismo tanto pode ser extremamente barato como extremamente caroafirmar que ele é elitista por ser caro é um argumento que não se sustenta.
  • Toda informação que exige transformação da sociedade, mudança de hábitos e não tem sua criação diretamente por pessoas de baixa renda pode ser dita elitista, exatamente por não partir e ter difícil acesso à todas as classes sociais, todavia, conservar hábitos destrutivos QUANDO PODEM ser mudados é mais elitista.
  • Um vegano é “superior” a um não vegano? Pensando como indivíduos que são, pela lógica, não, já avaliando a moralidade da conduta de ambos, podemos saber que uma é mais prejudicial que a outra, e portanto, uma conduta é melhor, a outra pior. A ideia de que evitar sofrimento quando se pode é superior a de que podemos explorar indivíduos vulneráveis e causar-lhes sofrimento. Proteger direitos fundamentais é – quase sempre – moralmente superior a ideia de rompê-los. Assim, é moralmente elitista querer manter os hábitos por que eles são melhores para si, tornando irrelevantes os direitos dos outros.

Confira o vídeo do canal Vegano Vitor sobre elitismo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s