Estudo mostra que galinhas são inteligentes, carinhosas e complexas como muitos mamíferos


O senso comum sempre costumou rebaixar as galinhas a níveis de pouca capacidade de sentimento e expressão; talvez essa ideia tenha origem no fato de que, diferentemente de outras aves, as galinhas são vistas como objetos para os seres humanos e, em sua maioria, não vivem em suas condições naturais, onde poderiam mostrar todo seu potencial. Dizemos que são vistas como objetos devido ao seu uso para produção de carne e ovos por grandes indústrias pelo mundo todo, afirmando serem desprovidas teoricamente de personalidade e passiveis de descarte.

O Estudo “Thinking chickens: a review of cognition, emotion, and behavior in the domestic chicken” (Galinhas pensantes: uma revisão da cognição, emoção e comportamento da galinha doméstica) demonstra resultados extremamente interessantes sobre estas aves. Pintinhos de apenas 5 dias demonstraram serem capazes de fazer operações aritméticas de adição e subtração. Estudos relacionados ao som, mostrou que as galinhas podem aprender a discriminar o significado de determinados sons, se ele prediz uma recompensa positiva, negativa, ou neutra. Caso a recompensa fosse negativa, as galinhas se mexiam mais, davam mais passos e moviam mais as cabeças; caso fosse positiva, permaneciam mais paradas e demonstravam relaxamento. Foram também capazes de predizer um intervalo de 6 minutos entre um sinal visual para conquistarem sua recompensa, provando capacidade de estimar o tempo.

Galinhas também mostraram serem capazes de ter auto-controle, visando melhores recompensas. Foi dada uma escolha entre uma espera de 2 segundos, com resultado de acesso à comida por 3 segundos ou uma espera de 6 segundos, com acesso à comida por 22 segundos. As galinhas escolheram a segunda opção, mesmo que a espera fosse mais longa. Alguns argumentam que isso também é um indicativo de auto-consciência.

Estes animais também tem uma relação de hierarquia entre si, havendo dominantes e submissos. Em experimentos, as galinhas observaram uma outra desconhecida derrotar uma conhecida dominante, e então puderam entrar em contato com a galinha vencedora, e não a desafiaram. Caso não tenham visto o ocorrido, elas se propuseram o desafio, considerando uma possibilidade de vitória. Isso demonstra que elas são capazes de deduzir fatos; Se a galinha A é mais forte que eu, e foi derrotada por galinhas B, não serei capaz de derrotar galinha B.

A comunicação é um processo crítico da complexidade social. Tais aves demonstraram possuir 24 tipos de vocalizações distintas, variando entre alarmes de perigo para diferentes tipos de predador (aéreo, como um falcão, ou terrestre, como um guaxinim), e o grupo reage de maneira específica ao ouvi-lo, mostrando que o significado é compreendido por todos. A maneira como é performado o alarme também depende das circunstâncias, como a presença de uma fêmea (caso seja um macho, as chances de soar o alarme são maiores, o que aumenta seu sucesso reprodutivo posteriormente), ou a presença de um subordinado, que dá ao predador mais de um alvo para atacar e diminui suas chances de ser o atacado. Caso o animal esteja escondido em algum arbusto ou local protegido, o alarme é mais duradouro, o que seria perigoso se estivesse exposto à visão do predador. Existem outros tipos de sinais, como relacionados a comida e outros fenômenos.

Galinhas demonstram também capacidade de sentir medo, ansiedade e empatia. Mães que observam seus filhotes serem expostos a situações desagradáveis, como um mau cheiro, mesmo que elas não estejam experienciando o mesmo, tem notória alteração emocional, como o aumento do batimento cardíaco. De acordo com autores: “Nós descobrimos que as galinhas adultas possuem no mínimo uma das características fundamentais da empatia: a capacidade de ser afetado por, e compartilhar, o estado emocional de outro”.

Tais conclusões podem levar as pessoas a refletirem: será que realmente as galinhas merecem a exploração humana? A indústria dos ovos tem como procedimentos padrões a mutilação de pintinhos recém-nascidos e, dependendo de seu sexo (machos), a morte por asfixia ou trituração. As galinhas poedeiras, vivendo por cerca de um ano, poderiam viver uma década naturalmente. Amontoadas em gaiolas superlotadas, são privadas de liberdade e de possibilidade de expressar seus comportamentos naturais, como o simples esticar de asas. Um animal capaz de sentir, como a galinha, está longe de poder ser julgado como produto, e merece mais do que a vida na indústria da pecuária.

 

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3 comentários sobre “Estudo mostra que galinhas são inteligentes, carinhosas e complexas como muitos mamíferos

  1. A mudança de cultura é lenta, mas já está acontecendo. Acredito que uma das razões da morosidade neste processo é a dificuldade do ser humano de ter empatia pela própria espécie.

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