Como o mundo (e você também) te faz ignorar os direitos e o sofrimento dos animais


Você vê um vegano e já sabe que ele é chato e arrogante por apontar o dedo e te chamar de assassino cruel dizendo que você come cadáveres. O bife no seu prato é cultural, sustenta o trabalho de muitas pessoas, é saboroso e te dá força, o churrasco no fim de semana então… dá até água na boca.

Por incrível que pareça, quase todo vegano de hoje em dia já foi assim, apreciador de algum tipo de carne. A esmagadora minoria de pessoas nasceram veganas, afinal os direitos animais passaram a ser seriamente debatidos por filósofos a partir dos anos 70, e há muito menos tempo ele vem tendo um bom crescimento e divulgação, graças a internet.

Também são poucas as pessoas que viraram vegetarianas ainda crianças, afinal os pais dão um jeito de dizê-las que comer animais é normal, e de fato é. Normal é aquilo que a maioria das pessoas fazem em uma sociedade, e na nossa ainda é normal comer e explorar animais. Em outras sociedades existem muitas coisas normais que para nós do Brasil não são: comem cachorros, apedrejam mulheres, estupram crianças, casam forçadamente, e uma infinidade de coisas justificadas pela cultura, coisas que não parecem tão justas para nós, mas que são normais para eles.

Não muito distante, há pouco mais de 200 anos, grandes países permitiam a escravidão e mulheres não votavam. Era normal, as leis justificavam tais ideias, e quem dissesse o contrário era o chato da época. Cada época tem seus chatos, e o da vez são os veganos, claro, junto ainda as feministas, aos gays e aos negros que pedem por um mundo mais igualitário. O que todos eles tem em comum é que são atacados por aqueles que pensam em si antes de pensarem em suas vítimas. Querendo ou não aquele bife saboroso é o pedaço de uma vítima que sofreu e desejava viver sua vida. Aliás, é nisto que se pautam os veganos, na individualidade dos animais e na sua senciência, que é a consciência sobre dor e bem-estar que estes seres tem.

Nossos pais nunca nos falaram disto, a normalidade não é esta, não podemos cobrá-los por não terem nos ensinado algo que vem confrontando essa normalidade, eles são normais oras. Estamos há muito mais tempo explorando animais que não fazendo isso, daí os veganos são bastante anormais, eles veem algo além do óbvio – que animais morrem – e lutam por seres além deles mesmos, por isso são estranhos… e chatos, claro.

Pode ser extremamente óbvio para um vegano considerar os animais como eles são – como indivíduos -, pois eles tem um senso de justiça mais apurado nesta questão, afinal, se os animais sofrem e podemos evitar por que continuarmos? A escolha por reduzir sofrimento e não violar a liberdade dos bichos é decididamente mais ética, pois ética – mesmo que as pessoas não saibam – não se pauta num só indivíduo e sim em escolher o que mais beneficia o todo, naquilo que mais se aproxima do bem-comum. Partindo disso podemos entender que o justo nem sempre é o que as pessoas acreditam que é ou o que está na lei. Mas por que não somos todos capazes de pensar desta forma e respeitar os animais?

Se você aprende desde criança que 1+1 resulta em 3 e só aos 20 anos alguém vem te dizer que 1+1 é dois, mesmo que isto seja certo vai parecer absurdo. Você viveu com pessoas que pensam que 1+1 é 3 e tudo que você sabe gira em torno disso, por isso quanto mais alguém insistir que isso é errado, mais ela vai ser chata pra você. Isso acontece com a exploração animal.

Desde criança houve uma dessensibilização com naturalização da inferioridade animal, um pensamento conhecido como antropocentrismo moral, onde o humano se coloca num pedestal, é o centro na natureza e tudo pode, e isto vai da religião à ciência. Nós até ficamos incomodados vendo animais sendo torturados mas não queremos ir além, preferimos fechar as imagens, os vídeos – e os olhos – e xingar as pessoas que fazem aquele ato “isolado” ao invés de percebermos que nós que financiamos estas coisas. Essa normalidade, que permite a exploração animal, nos faz acreditar que isso não precisa ser mudado e quem quem diz o contrário parece estar querendo impor uma ideologia forçadamente na gente – mesmo que o que a gente tente sustentar também seja uma ideologia.

Mais adiante, há a adaptação de todos aqueles que lucram com essa exploração. Ao perceber que as pessoas estão querendo proteger os animais as indústrias investem muito dinheiro na política para continuarem a exploração e em publicidade para continuar anestesiando você: eles dizem que tratam bem os animais – e não o fazem, pois isso nada tem a ver com o que os animais desejam. Este passo é a aceitação do bem-estarismo, que nada mais é que marketing e uma injeção nova de conformismo para o sistema se manter da forma que está, o seu consumo continuar e o mercado não mudar. Se você comprar essa ideia, feito! Os veganos continuam sendo chatos e você sendo legal, mesmo fazendo vítimas que não precisam ser vítimas para você viver bem.

Nós não pensamos de forma ética porque por padrão estamos programados para sermos relativistas e parciais. Vivemos em mundos pequenos, e nisto acreditamos que a nossa felicidade pode valer a dor dos outros, ou preferimos fechar os olhos mesmo e tudo isso é normal. Estamos profundamente imersos em ideologias que nos favorecem, de todos os lados, inclusive elas que parecem sustentar a inferioridade de outros humanos perante a nós mesmos. São crenças, são parte de nós, de como fomos criados e de como nos definimos. Nelas vítimas tem o propósito de nos alegrar, de nos sustentar, de nos favorecer, nos apegamos a escolha mais comoda, é sempre assim, não há porque mudarmos, senão por um motivo: justiça.

Mas quem nos ensinou que justiça depende de não pensarmos em nós? E quem nos ensinou então que animais podem ser incluídos em nossa concepção de justiça? Essa não foi a normalidade, os tempos eram dos nossos pais e dos pais deles eram outros, eles não tinham informação. Nossos avós viveram a escravidão dos negros, nossos pais o racismo velado, nós os resquícios disso, e nas próximas gerações é provável que o racismo diminua mais e mais, assim como as outras injustas formas de opressão e limitação da liberdade. Fato é que apesar dos pesares a normalidade muda lentamente e nós podemos ser a parte mais justa da mudança, os veganos sabem disso, e eles estão tentando te dizer.

Os animais sofrem e são privados de viver a potencialidade de suas vidas e não existe um sequer argumento que mude esta realidade, mas existe uma opção e já sabemos qual é. Pode não ser extremamente fácil realizar uma mudança, mas isso depende se estamos olhando para nós mesmos ou para o problema que causamos. O mercado, a política, as leis, a cultura, estão imersos na exploração animal. O sistema todo tem essa engrenagem, e ela só vai parar quando cada pessoa se abster de fazer parte dela. Você pode ignorar, claro que pode! A maioria das pessoas ainda te ajudará, mas se sua consciência despertar um pouco que seja e você conseguir pensar em deixar tudo isso de lado, pode contar com a gente, afinal quando sabemos não podemos mais negar que fazemos parte.


O que quem explora animais acredita:

  • Naturalização da inferioridade animal
  • Aceitação do bem-estarismo
  • Isenção de culpa por conformidade social
  • Auto-favorecimento, egoísmo, relativismo e tradição

O que quem não explora animais acredita:

  • Tratamento de interesses semelhantes de forma semelhante
  • Redução de sofrimento e respeito integral às liberdades individuais
  • Contracultura da violência desnecessária
  • Bem comum, altruísmo, objetivismo (ética)

Os veganos são radicais, é claro que são, radicalmente contra o sofrimento e a favor da liberdade de todos os animais diante do egoísmo humano, que sim, pode ser evitado.


Ative as legendas e veja o vídeo a seguir:

 

 


A foto de capa deste post foi tirada em um festival religioso (Eid al Adha) onde os animais tem seus pescoços cortados e sangram até morrer.

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