O que fará o mundo vegano – ou quase


Texto por @juliocesarprava

Nos últimos anos, por conta de uma maior conscientização ambiental e com a expansão daquilo que as pessoas consideram ético, o número de defensores dos animais aumentou consideravelmente. Entre eles há uns que defendem espécies que estão a beira da extinção, outros que defendem animais domésticos e aqueles que defendem todos os animais e que nenhum deles seja tratado como objeto. Em contraponto a esta expansão da consideração com os animais a exploração de animais também aumentou.

Apesar dos esforços dos grupos que defendem os animais, mais especificamente do mais abrangente, os veganos – a maioria das pessoas ainda usa animais por conveniência ou hábito. Entre elas há as que acreditam que os animais podem servir aos seus interesses, ignorando assim os interesses dos animais e também há outras que admitem que os veganos estão certos e dizem-se que são contra a crueldade animal, mas mesmo assim continuam a financiar que os animais tenham vidas miseráveis se alimentando e usando eles no dia-a-dia.

O ativismo pelos animais certamente é importante pois as pessoas precisam se conscientizar das consequências de suas escolhas, isto é, das condições miseráveis que os animais vivem antes de serem mortos, no entanto, só isso não fará com que a maioria das pessoas mude seu comportamento em relação aos animais.

Por que ainda não somos todos veganos?

Nas visões de exploração dos animais as pessoas não tomam decisões racionais, elas racionalizam decisões irracionais, haja visto que as consequências de suas ações são desnecessárias e causam sofrimento desnecessário. Essa relativização do sofrimento dos animais e o fato de ignorar que eles são seres sociais com emoções e que querem viver bem suas vidas, é uma das crenças mais profundas e vêm sendo sustentada por praticamente todas as culturas, mas poderá mudar em algum tempo.

Mesmo havendo alternativas com a alimentação vegetariana estrita e com o modo de vida vegano, mudar a mente, a filosofia e os hábitos das pessoas é algo muito lento para se apostar como um caminho que levará o mundo à não exploração dos animais, ainda mais numa sociedade em que a exploração animal gera conformidade social e muitas das pessoas mais ricas e poderosa tem ligação com essa indústria.

Os humanos têm a capacidade de serem racionais, mas não tomam decisões racionais o tempo todo, ainda mais quando isso exige alguma mudança em suas vidas em que elas estão profundamente ligadas: as pessoas adoram carne, leite, couro, isso lhes dá prazer e status, é afetivo e tradicional, já os vegetais nem tanto. Mesmo diante muitos motivos para não explorar e consumir animais e diversos argumentos racionais, é comum que as pessoas se recusem a mudar efetivamente optando por sabor, prazer e conforto ao invés de um raciocínio filosófico crítico e a abstenção do consumo de animais.

Isto acontece porque costumeiramente as pessoas são relutantes em reconsiderar suas próprias convicções, uma vez que elas se apegam a uma visão elas se inclinam a aceitar todas as suas implicações lógicas, mesmo que sejam absurdas. O apelo à racionalidade das pessoas é bastante difícil, até mesmo para aquelas que se dizem extremamente racionais – como é o caso de muitos humanistas, dos secularistas e dos racionalistas, que também consomem animais negando ou relativizando toda sua cadeia de danos. Nossa habilidade para manter a dissonância cognitiva é impressionante, então parece improvável vermos uma grande mudança a curto prazo baseado no convencimento baseado pela evidência e pela razão.

Então para resolvermos este problema, e pouparmos a vida dos animais, precisamos de grandes alternativas que vão além do ativismo vegano, precisamos de produtos que se coloquem em pé de igualdade com a carne, o leite, ovos, o couro, o mel, colágeno, gelatina, caseína, sem que a pessoa precise fazer qualquer esforço para mudar.

Apostando na inovação tecnológica

Para mudar nossa relação com os animais temos três saídas para uma mudança efetiva em larga escala: uma grande crise, uma grande revolução política ou uma grande revolução tecnológica. Os pessimistas apostam na primeira, os idealistas na segunda, os otimistas na terceira. Há no mundo um aumento exponencial da população mundial e por isso a demanda por alimentos continuará aumentando, assim precisaremos de novas políticas alimentares e certamente não poderemos mais criar animais da mesma forma com o risco de um colapso – a crise dos pessimistas. Se isto ocorrer teremos um cenário apocalíptico com mais guerras, fome e retrocederemos em nosso desenvolvimento, ao menos em partes do mundo.

Já os idealistas e revolucionários políticos acreditam que podemos evitar tal cenário, readequando nosso modo de consumo, transformando as estruturas e enfrentando o capitalismo. Algo relevante, como sempre foi, mas ainda longe de acontecer. O mesmo serve para o ativismo vegano, que como vimos, é bastante difícil convencer a maioria das pessoas apenas pelo apelo à racionalidade ou à compaixão.

Achar que só o veganismo e o anticapitalismo salvará os animais pode ser ingênuo se observarmos a história. Houveram grandes revoluções, mas mesmo assim o capitalismo até hoje venceu todos os embates que teve, se transformando, e, provavelmente, continuará vencendo e se adaptando entre seus colapsos econômicos e as mazelas sociais.

Por este motivo, a crença idealista que antes se depositava nas ideologias anticapitalistas como o marxismo e o socialismo, após as guerras e as revoluções socialistas não vingarem como esperado, está sendo transferida para as democracias liberais com seus princípios de justiça social e claro, para o avanço da tecnologia.

Então, se o capitalismo não for superado, o monstro – da exploração animal – que ele fez crescer terá que ser morto dentro deste mesmo sistema, isto é, apesar das muitas críticas – muitas delas com razão – ao capitalismo, os capitalistas estão sempre competindo atrás de mais lucro e isso gera grandes inovações tecnológicas, então pode-se dizer que isso tem potencial para mudar a vida dos animais.

A agricultura feita no laboratório

A ciência atualmente mostra que a exploração animal é algo insustentável para o planeta, então não só os ativistas ambientais são contra, mas também os capitalistas enxergam isto como uma oportunidade de negócio e procuram inovar nesta direção. Eis que para resolver a problemática do consumo de animais – e para superar a concorrência – surgiram alternativas à base de plantas e algo ainda mais promissor, a agricultura celular, e também a agricultura acelular.

Ao mesmo tempo em que os ativistas tentam convencer as pessoas que deixar de massacrar os animais passou a ser algo ruim, injustificado e irracional, algo que só é mantido por um apelo ao egoísmo, está surgindo essa indústria promissora que poderá fazer muito pelos animais de outras espécies. E pasmem, da mesma forma que a inovação tecnológica e industrial permitiu que os animais fossem criados e mortos aos bilhões, ela também deve permitir produtos de animais sejam produzidos sem recorrer a este mesmo método.

O que mudará?

A internet mudou profundamente a forma como nos relacionamos, e nos últimos 20 ou 30 anos avançamos muito mais que em milhares de anos anteriores, se observarmos isso podemos deduzir que a tendência é avançarmos cada vez mais rápido.

O desenvolvimento de matérias vivas – ou não-vivas – em laboratório poderá revolucionar também o modo como produzimos tudo: carne, leite, ovos, marfim, plantas, etc. Entendemos a natureza e reproduzimos as coisas em ambiente controlado, suprindo demandas e reduzindo drasticamente a exploração dos recursos naturais e dos animais, e de quebra os investidores recebem seus lucros por isso. É uma ótima aposta e se encaixa no sistema em que vivemos.

Os veganos que são contra a exploração, o sofrimento e a morte de animais por ética – e não por não gostarem do sabor da carne -, poderão voltar a consumir carne se obtiverem produtos de origem animal que não infligem dor nem morte aos animais, como é o caso das carnes de laboratório, afinal o mau não está em uma célula reproduzida infinitamente e sim no sofrimento, na servidão e nas mortes reproduzidas em grande escala pelos exploradores de animais.

Mesmo sabendo que nem todos vão abandonar voluntariamente produtos de origem animal pelas razões éticas, com essa facilidade embutida ao cotidiano, o restante das pessoas, poderá deixar de consumir produtos provindos do sofrimento animal e posteriormente poderão se adaptar a visão política do veganismo. A carne cultivada, por exemplo, deve ser amplamente aceita quando se tornar popular e acessível, o que é provável que aconteça em pouco tempo devido à demanda por um mundo mais sustentável, então as pessoas comerão carne com gosto de carne, com material biológico de carne, que poderá ser mais saudável e que terá um impacto ambiental mínimo e que não causará sofrimento aos animais.

A carne de laboratório (também chamada carne limpa, carne sintética, carne cultivada, carne in vitro, carne celular ou carne artificial) é um grande e promissora inovação tecnológica pois para sua produção fará o um menor uso de água, causará menor poluição, menor degradação ambiental, menor espaço para produção, ciclo mais inteligente de produção de alimentos e proteínas – pois é muito mais eficiente obtermos calorias e proteínas direto do reino vegetal que dá-las aos animais e pegarmos só uma parcela disso -, sem sofrimento, menor custo.

Confira abaixo um gráfico de prospecção do seu impacto em comparado as maneiras tradicionais de produzir carne:

impacto_carne_cultivada_em_laboratorio

Tudo isso posto em concorrência com a forma de tradicional de obter carne os fará economicamente inviáveis. E indo além, não só a carne, como também outros diversos materiais poderão ser reproduzidos em laboratório, como leites, ovos, marfim, etc. Por isso o desenvolvimento de produtos cultivados em laboratório oferecem uma boa chance de abolirmos fazendas industriais e a criação intensiva de animais, além de mudar drasticamente nossa relação de consumo.

As críticas

É claro que muitas pessoas se opõe a carne limpa. Seus críticos e opositores, geralmente da tradicional indústria de criação de gado, com medo da concorrência traçam estratégias para depreciá-la. Eles dizem que essa tecnologia será um risco à saúde (o que tende ser o contrário), que não é carne de verdade e reforçam a ideia de que não é algo natural para criar resistência ao consumo. Há até mesmo veganos que dizem que esta nova forma de produzir carne não será vegana pois veio de um animal, não pensando que poderá poupar bilhões de animais de vidas miseráveis e de mortes precoces pegando uma pequena amostra de células de um animal vivo e ignorando que o produto poderá ser continuamente reproduzido à partir destas células.

Apesar deste enfrentamento político-econômico, a pecuária industrial vem sofrendo com críticas devido ao seu impacto ambiental e ao tratamento com os animais. Mesmo com o novo discurso publicitário de pecuária sustentável ela ainda é largamente insustentável e por isso poderá perder os subsídios governamentais que fazem a carne ser um produto artificialmente barato – afinal, se fosse embutido o preço do impacto ambiental ela seria muito mais cara, mas muito mesmo.

A tal da pecuária sustentável é advogada não dará conta de alimentar pessoas e de manter o mundo bom o suficiente para elas viverem, então mesmo que uma nova pecuária possa tornar a exploração animal menos destrutiva, há uma alternativa que será extremamente melhor, então não há o que temer.

Daqui alguns anos as indústrias da agricultura celular ganharão força, a inovação tecnológica tornará as indústrias de carne de laboratório e de produtos à base de plantas mais viáveis economicamente o que dará vantagem mercadológica à este tipo de negócio, enquanto que as indústrias pecuaristas terão fortes perdas econômicas, serão pressionadas a mudarem e terão que se adequar a nova realidade fazendo parte da concorrência neste mercado ou lutarão pela tradição com o risco de deixarem de existir como já vimos em diversos casos na história recente.

A carne um dia foi cara, hoje têm um grande variedade com muitas opções acessíveis. Da mesma forma ocorrerá com a carne limpa que ainda é cara, mas em pouco tempo se tornará acessível. Neste sentido, os pecuaristas precisarão aceitar a mudança, de uma forma ou de outra.

A carne “não natural”

Há também a discussão em torno da natureza dessa nova forma de produto, mas que não deve ir muito longe. A carne cultivada em laboratório, por exemplo, é feita a partir de células de animais e pode ser biologicamente equivalente em seu material genético – não sendo igual os produtos à base de plantas que simulam produtos de origem animal -, mas poderá ser criada sem precisar criar animais em si.

Por este motivo muitos dirão que ela não é natural, mas isto é certamente uma visão conservadora. Os animais não eram criados em fazendas antes do advento da agricultura e também não eram criados em ambientes industriais artificiais antes da industrialização, os animais de hoje foram selecionados artificialmente e não são mais como os de antes, eles não deixaram de ser animais. Eles consomem ração e não vivem mais soltos, suas carnes não deixaram de ser chamadas de carne. Outro ponto interessante é que humanos antepassados não comiam carnes fatiadas, congeladas e embaladas, isto é, a carne de hoje é mesmo natural?

Nós nem mesmo tínhamos casas de concreto, nem privadas, não tomávamos banho diariamente, nem nos limpávamos com papel higiênico e isto nada quer dizer sobre nossos novos hábitos serem ruins. O ser humano de raiz é um ser humano extremamente frágil se compararmos ele com os seres humanos antigos que viviam muito menos, não somos naturais? Somos humanos mais desenvolvidos e nos bastou mudar o sufixo, homo sapiens, agora a nova carne terá também seu sufixo diferente.

O apelo à natureza para condenar algo como errado é usado por pessoas de todas as ideologias, mas poucas vezes não são falácias. Condenar uma nova maneira de produzir carne por não ser natural como é hoje – esquecendo-se que ela não produzida como 10, 50 ou 100 anos atrás – é querer frear o desenvolvimento humano, ainda mais quando se apresenta muitos benefícios para a mudança. A matéria da carne cultivada será baseadas em células de carne, então parece não haver uma boa justificativa para ela não ser chamada de carne, assim como a comunicação digital que fazemos pela internet é “artificial” e é definida como comunicação.

O mundo progride, e com as exigências que temos agora, a carne de hoje mudará. A caça foi substituída pela domesticação e num passo posterior criou-se o mercado da carne, o mercado da carne se transformou da carne das fazendas para a carne das ‘fábricas’, no próximo passo será transformado na carne dos laboratórios.

O conforto é imbatível

As tecnologias mudam e as tradicionais são superadas, se tornam obsoletas ficam para trás. Temos muitos exemplos de coisas assim que já aconteceram e muitas que estão acontecendo neste momento.

Os carros substituíram em grande parte a tração animal, as máquinas fotográficas analógicas foram substituídas pelas máquinas digitais, os disquetes foram substituídos pelos CD’s, depois pelo MP3, as locadoras foram digitalizadas e agora as pessoas assistem filmes por streaming, os computadores e as máquinas substituíram boa parte da mão de obra humana, agora a mídia impressa está sendo substituída por mídias digitais, que são muito mais rápidas e não precisam papel nem de impressão gráfica.

Todas essas mudanças tem um ponto em comum, foram mais eficientes ao levar mais conforto para as pessoas. As grandes inovações tecnológicas que tornam a vida das pessoas mais cômodas tendem a superar tecnologias tradicionais que não conseguem fazer o mesmo, daí que indústrias bilionárias morreram ou se tornam minoritárias.

Assim podemos ver que há boas chances da carne vinda de animais criados em indústrias e fazendas se tornar um mercado irrelevante, pois, apesar da indústria que lucra disso ter um belo discurso, graças aos seus publicitários, seu sistema é comparativamente ineficiente e economicamente inviável. Como previsão ela deve ser substituída por um sistema mais eficiente trazendo assim novos modos de consumo e o cultivo em laboratório de matéria em laboratório certamente é potencialmente esse substituto. A carne limpa poderá ser para as vacas, porcos e ovelhas, o que o advento dos automóveis foi para os cavalos.

Conclusão

Há neste momento um considerável crescimento do vegetarianismo e veganismo no mundo. Há também muitas pessoas que admitem que considerar os animais e protegê-los é uma causa nobre e sensata, mas mesmo assim elas continuam a consumir animais. A razão nem sempre supera a conformidade e a pressão social, os velhos hábitos e costumes, o prazer e a conveniência. Para além das evidências e da ética há muita afetividade e também milhares de anos de exploração animal que reforçam ainda mais a normatização do ato de fazer sofrer e de matar.

Mesmo assim o mundo não é imutável, há algum tempo os negros eram oprimidos e as mulheres eram submissas, mas graças a muita luta hoje eles estão conquistando seu espaço – que lhes foi privado – na sociedade. Não obstante, no futuro as pessoas terão ainda mais respeito pelos animais e por consequência verão a agricultura intensiva e industrial como algo terrível, assim como hoje a maioria vê a escravidão humana, mas essa mudança se dará não apenas pela mudança das convicções morais e pelo ativismo, ela estará aliada ao avanço tecnológico.

As pessoas mudarão de fato quando houver uma alternativa tão fácil e apoiada popularmente quanto a carne e outros produtos vindos de animais, só a conscientização não dá conta dessa mudança gigantesca. Não podemos apostar apenas no ativismo, nem apenas na emancipação pelo mercado e no desenvolvimento tecnológico, mas juntos ambos trarão ao mundo uma grande transformação.

A carne cultivada em laboratório, que faz parte da agricultura celular, é uma das mais promissoras tecnologias para mudar a terrível realidade dos animais explorados em fazendas, mas competirá com o desenvolvimento de alimentos à base de plantas que simulam produtos de origem animal e talvez até com alimentos à base de insetos. Apesar de estarem em um estágio inicial, estes novos paradigmas, em algumas décadas poderão substituir grande parte da criação industrial de animais como bois, porcos, ovelhas e galinhas, se não toda ela, assim o veganismo poderá se tornar uma visão política majoritária.

Há muitos desafios para que essa tecnologia e seus produtos venham a ser populares, reproduzidos em escala comercial e, posteriormente, em escala global. Alguns são técnicos, como sua regulação e o aprimoramento da própria tecnologia, outros culturais, como a mudança de paradigmas e o embate com a poderosa indústria pecuária. Precisamos incentivar alternativas de carne limpa para mudanças rápidas e em grande escala. Ao mesmo tempo, vale a pena promover filosofia e ajudar as pessoas a questionarem seus hábitos, seu impacto e consequentemente fazerem um exame crítico e ético de suas crenças. Diante do viés tecnológico, o que importa no ativismo vegano é a conscientização de que os animais não devem ser tratados como objetos, e nisto cabe tanto o ativismo anticapitalista quanto um ativismo pragmático e de capitalismo sustentável (se é que isso existe).

Como bem alertam os veganos anticapitalistas, colocar mais alternativas industrializadas e produzidas em larga escala aos produtos animais não quer dizer que sempre haverá mais pessoas vegetarianas e veganas, pois elas simplesmente podem diversificar o consumo sem deixar de consumir os animais. Mas o caso da carne limpa pode ser diferente, pois além dos pequenos impactos, ela poderá ser modificada, suplementada e ter sabores distintos sem precisar de anos e a anos de manipulação genética e de cruzamento de animais, além de resolver o problema da resistência a antibióticos, então é possível que seu valor de produção se equipare ou fique mais barato que o preço da carne tradicional.

O que fará o mundo vegano – ou quase – será a mistura de produtos no mercado mas sem deixarmos de lado a pressão, o ativismo, a educação e a conscientização política. É importantíssimo o ativismo vegano idealista, anticapitalista e abolicionista, desde o feito pela AFL, até o feito por ONGs pacifistas, mas só eles não bastam pois há uma limitação nisso dentro das sociedades capitalistas: o mundo não se tornará majoritariamente pacifico e politizado em pouco tempo – essas transformações são naturalmente custosas e lentas – e é aí que o ativismo pragmático e de mercado se faz necessário também. Devemos sempre nos lembrar que no mundo do egoísmo as revoluções ou idealismos quase sempre são impraticáveis, mas a tecnologia não. Precisamos apostar no avanço de tecnologias, e a agricultura celular é talvez a mais promissora delas.

As vidas de confinamento e extremo sofrimento poderão acabar, poderemos frear a degradação ambiental e também fornecer uma maior segurança alimentar, além de mais alimento, então não há porquê irmos na contramão do progresso. A mudança sobre isso trará benefícios em muitos outros campos para além da exploração dos vulneráveis animais, então a predominante cultura da carne do mundo capitalista, será substituída por uma nova cultura que com certeza será mais compassiva.

Veja também

Mais alguns textos sobre as novas indústrias que poderão superar a pecuária como a agricultura celular, a carne de laboratório e os produtos à base de plantas:

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