Mc Donald’s lança lanche “vegano” e causa polêmica


Recentemente uma loja do Mc Donald’s, na Finlândia, começou a vender um sanduíche sem nada de origem animal chamado ‘McVegan’. Tal ideia gerou polêmica em grupos veganos e acabou por dividí-los. Muitos aplaudiram a iniciativa, enquanto muitos outros disseram que nunca comerão nada no McDonald’s, porque o produto não pode apagar os outros aspectos problemáticos da empresa. Resumidamente, foram levantados dois questionamentos sobre o caso, o primeiro é se o lanche pode mesmo ser chamado de vegano e a outro é se os veganos deveriam consumí-lo. Então vamos pensar sobre.

 

É possível uma empresa não-vegana fazer produtos veganos (livres de crueldade contra animais e humanos)?

Pensando que existe essa possibilidade a resposta é sim. É possível, se a empresa se dispor a boicotar a exploração animal num só produto ele será vegano, porém a empresa terá que se dispor a montar uma produção alternativa para realizar isso. No caso da empresa ser apenas uma revendedora de produtos, como é o caso de mercados, é provável que haja muitos produtos de fato veganos.

Pensando em probabilidade a resposta é não, pois, não é provável que uma empresa que produz em largar escala produtos provindos da exploração animal – ainda mais o McDonald’s – se disponha a isto fazendo assim algum produto genuinamente vegano.

Portanto, neste caso do McDonald’s em específico, é possível, mas extremamente improvável que o lanche seja vegano, visto que a cadeia de produção inteira da empresa envolve a exploração animal. O que ele pode é ser vegetariano estrito (que se refere a dieta alimentar), ou seja, 100% feito de produtos de origem vegetal.

Há quem diga que o lanche não é vegano se é produzido por uma empresa que não é vegana, no entanto, na lógica isto não parece verdadeiro, produtos de empresas não veganas, com exceções, podem sim ser veganos, mas não parece ser o caso do McDonalds, nem de boa parte das grandes empresas não-veganas que trabalham diretamente com a indústria pecuária, que dizem ter produtos veganos, assim, para acreditar que elas fazem mesmo produtos veganos é preciso de uma visão bastante inocente de como funciona o mercado.

Mas os veganos não compram em mercados onde são vendidos produtos de origem animal e fazem estas empresas lucrarem também?

De fato. Os veganos dão lucro a lugares não-veganos que vendem produtos livres de crueldade. Mas apesar de questões parecidas elas não são idênticas.

Um mercado tem diversos produtos – muitos deles de origem animal – que visam atender diversos públicos e isso o difere de uma rede de fast food, que tem a maioria de seus produtos provindos da exploração animal em escala industrial. Os mercados geralmente são distribuidores e não produtores e fornecedores, o Mc Donalds, Burguer King, Bobs, entre outros são referências no que diz respeito a exploração animal em larga escala e se tornaram símbolos disto e do que os veganos são contra.

Eu comprar em um supermercado que venda carne. E não comprar carne faz com que eu não gere demanda para carne. O caso do McDonalds é uma forma de boicote político já que a rede de fast-food não é apenas uma rede de fast-food, tem uma representação simbólica de tudo o que o veganismo luta contra. Além de estar envolvidas em repetidos escândalos de uso de insumos nada confiáveis em seus produtos. Você apostaria sua vida que o McVegan é 100% vegano? Que não possui nenhum insumo de origem animal? Que vai ter lá uma grelha separadinha só para os veganos? Se a resposta for sim. Você é bastante inocente. (Rodrigo Guglieri)

Uma empresa é uma entidade que visa o lucro, os produtos que ela oferece são para isto, mas há empresas que se preocupam com alguma ideologia e de fato aplicam ela para produzir. É comum que aconteça a apropriação de causas, de qualquer coisa que elas pensem que vai lhe dar lucro, isso independe de ser ou não contracultura. O McDonalds está longe – de forma abissal – de ser vegano e ético, isso mostra que mesmo que digam que um produto seja vegano isto não deve ocorrer, a motivação para inserir o McVegan é financeira, e os veganos têm motivações éticas, o que gera o conflito. De qualquer forma, vale comemorar – se conseguirmos olhar isto de maneira positiva – porque se o McDonald’s, uma empresa gigantesca, reconheceu o veganismo e começou a vender um produto dito “vegano”, isto quer dizer que o veganismo está crescendo bastante, quer dizer que há demanda e precisam ofertar e isto pode influenciar muitas outras empresas daqui para a frente, mas para isso é preciso que este lanche saia das fases de teste.

Este produto é uma estratégia de mercado, não de mudança de visão sobre os valores da empresa, os veganos então devem procurar incentivar comércios menores quando tem alternativas locais e ‘limpas’ ao invés de fortalecerem uma empresa bilionária que está usando isso para não perder clientes. Já sobre os consumidores de carne isto parece uma boa alternativa. Eles já consomem no McDonalds, então apresentar um produto saboroso à base de plantas pode incentivá-los a buscar outros produtos assim e quem sabe, em algum momento, até se tornarem vegetarianos. Além disso, pela demanda, cada vez mais pode-se aumentar os produtos 100% vegetais dentro da rede, isso acabaria incentivando outras empresas grandes a começar a vender mercadorias similares, tornando produtos vegetarianos mais acessíveis. (Helena Baccega)

A minha opinião

Por si só, a definição de veganismo se mostra oposta à empresas que exploram animais – pior ainda de forma industrial. Chamar o lanche de vegano é equivocado, pois associa a ideia de veganismo com uma dieta, e por definição veganismo é uma posição filosófica e política, o McDonalds de forma alguma incentiva o veganismo, fez este lanche como estratégia de mercado para lucrar, então se temos alternativas e podemos não fazê-los lucrar, esta parece ser a melhor opção.

Particularmente eu entendo os veganos (de corrente anticonsumista e anticapitalista) que dizem que não se deve consumir qualquer que seja o produto 100% de origem vegetal que pertença a um grupo internacional que realiza testes em animais ou que está envolvido em cadeias de produção pecuária e/ou que tenham parcerias com empresas que exploram animais, mas também compreendo aqueles veganos (pragmáticos e liberais) que preferem a lógica do mercado, baseada em oferta e demanda, que acreditam que boicotar produtos de empresas não-veganas não impedem ou reduzem a exploração animal. Eles argumental que além de descontinuar produtos que são acessíveis à vegetarianos, a empresa continuará oferecendo produtos não vegetarianos, já que a demanda pra esses produtos continuaria.

De fato grande parte dos produtos de origem vegetal, que tem um público vegano ativo ainda são de empresas que exploram animais, como é caso de mercados e lanchonetes com opções veganas como o Subway, PrimeDog, America, entre tantos outros exemplos. Boicotar todas estas empresas em seus produtos que são veganos torna o veganismo inacessível para quem deseja migrar para esta filosofia em lugares onde não há estabelecimentos de fato veganos. Os veganos devem debater ideias e tem todo direito de repudiarem uma opinião, mas consumir ou não um produto 100% de origem vegetal de uma empresa não-vegana, que não tem um concorrente totalmente vegano, não fará um vegano deixar de sê-lo.

Os veganos devem consumir este produto?

Os veganos discordam entre si, há neste caso duas opiniões sobre se deve-se ou não consumir produtos assim.

Os argumentos contra o consumo são:

  • O Mc Donalds é o oposto de veganismo, ele utilizar-se desta filosofia para lucrar é errado. Não podemos dar lucro para qualquer empresa que é símbolo de tudo que está errado no que diz respeito à exploração animal.
  • É incoerente com a causa vegana comer um hambúrguer e fazer lucrar uma das empresas que mais contribui para o sofrimento e matança de animais no planeta, devemos boicotar empresas assim em todos os aspectos possíveis sendo que temos alternativas viáveis.
  • O McDonald’s é problemático de várias maneiras, além de explorar animais, trata os funcionários pessimamente e por vezes esteve envolvido em escândalos.
  • A menos que o McDonald’s possa mudar seu método de produção e um equipamento novo para as cozinhas seus produtos não serão veganos.

Os argumentos a favor do consumo são:

  • A causa vegana deve apoiar toda iniciativa mercadológica que vise reduzir o consumo de produtos de origem animal.
  • As pessoas que ainda não são veganas vão ter acesso a um alimento vegano e podem despertar interesse pelo veganismo, o que ajudaria na normatização dele.
  • Se não comprarmos o lanche eles vão encerrá-lo por falta de lucro e como é uma grande rede poderia levar um lanche destes acessível para muitas pessoas.
  • Os animais não se importam quem está fazendo lanches desde que sejam veganos.
  • É bom para os clientes do McDonald’s terem essa escolha, pois eles comem lá de qualquer maneira.

O que os veganos concordam é que a transição ao veganismo ocorre aos poucos – o mundo não vai amanhecer vegano –  e que é preciso estimular o aparecimento e crescimento de produtos sem crueldade animal, mas incentivar empresas como o McDonalds é um bom negócio? Boicotar o McDonalds – e outras empresas símbolos da exploração animal que pretendem se apropriar do crescimento do veganismo – e todos seus produtos é parte essencial do veganismo? Qual sua visão? Deixe nos comentários.

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