“Vystopia”: a experiência de ser vegano em um mundo carnista


Clare Mann é uma psicóloga norte americana vegana, que, em abril, lançará o livro “Vystopia: a angústia de ser vegano em um mundo não vegano” (tradução em português). Clare explica que inventou o termo Vystopia em 2017, para tentar descrever o que vivem os veganos quando descobrem a realidade dos animais utilizados pela pecuária; o medo, o trauma e a ansiedade de se dar conta de como a engrenagem da morte funciona em conjunto com a indiferença alheia e a dificuldade de fazer algo a respeito podem ser fardos duros de carregar. A perspectiva se amplia para além da violência em si, mas para o questionamento de crenças e valores culturais que os próprios veganos tiveram, assim como sobre as pessoas presentes no nosso círculo social.

Vystopia se inspira na palavra “distopia”, que é o oposto de utopia; “lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação”, ou seja, o contrário de uma sociedade ideal. Ao se deparar com uma descoberta de tal magnitude, muitos veganos sentem a necessidade de mostrarem a realidade para o mundo, mas, então, se surpreendem com outra realidade cruel. A maioria das pessoas debocha, defende o abuso animal, ou ignora sua existência. Mesmo sabendo de tudo o que um vegano sabe, decidem continuar a maior exploração e matança em massa de toda a história da humanidade, sem motivos plausíveis. Esse tipo de situação é extremamente difícil de ser processada. Apesar da complexidade da situação, Clare diz que vystopia não é uma patologia, mas uma crise existencial.

Diversas mentiras caem por terra na descoberta do veganismo, vindas de todas as fontes possíveis. A mídia, que vende a ideia do animal sorridente e feliz solto na fazenda, que na verdade vive uma vida miserável em espaços minúsculos e é brutalmente abatido ainda jovem. Nossa família, que cria a distância entre o animal vivo e seu corpo morto, como se não fosse um cadáver mas a “comida” pura e simples. Nossas escolas, que pregam a necessidade de consumo de corpos e secreções para a manutenção de um corpo saudável, instalando os mais famosos mitos sobre proteína ou cálcio, apesar da existência de evidências científicas sobre a viabilidade de uma dieta vegetariana. Aquelas instituições ou pessoas que mereciam nossa confiança e admiração começam a ter seu respaldo questionado, e até perdido. Clare Mann promete abordar tais questões em seu livro.

 

Apesar das dificuldades, a esperança não pode se perder. Cada dia que passa o veganismo cresce mais, e a informação chega a cada vez mais pessoas. O amadurecimento vem, e a força de vontade se transforma em exponencial na luta pelos animais; a maior dificuldade de ser vegano não é o tempo, a comida, a vontade, ou qualquer similar, mas sim lidar com o lado mais sombrio e egoísta da humanidade.

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