Empresas revolucionárias de ‘carnes’ à base de plantas ganham prêmio ambiental mais importante da ONU


A ONU reconheceu os esforços da indústria que fornece uma alternativa sustentável à pecuária, uma das principais colaboradoras na emissão de gases estufa, e consequentemente do aquecimento global.

Os empreendedores norte-americanos Ethan Brown e Patrick Brown, criadores das startups Beyond Meat e Impossible Foods, respectivamente, receberam em setembro o prêmio Campeões da Terra (em inglês, Champions of the Earth), o maior prêmio de meio ambiente das Nações Unidas, que é dado anualmente desde 2004. As duas empresas vencedoras comercializam em larga escala produtos à base de plantas semelhantes aos produtos à base de carnes de animais, mas com um impacto ambiental extremamente menor.

Segundo a premiação:

Impossible Foods e Beyond Meat são vencedores conjuntos do Prêmio Campeões da Terra, na categoria Ciência e Inovação. Eles produzem uma alternativa sustentável aos hambúrgueres de carne bovina, que são mais ecologicamente corretos e rivalizam com o sabor da carne. Estes vencedores acreditam que não há caminho para alcançar os objetivos climáticos de Paris sem uma queda maciça na escala da agricultura animal. Eles estão tomando medidas para que a comunidade global elimine a necessidade de animais no sistema alimentar, mudando para a carne baseada em vegetais.

Se por um lado a agropecuária domina o mercado, esses novos empreendedores estão percebendo o alto valor que o planeta está pagando por esse tipo de produção. Com essa consciência, produtos derivados de plantas começam a surgir fortemente e já concorrem com produtos de origem animal nos supermercados, oferecendo qualidade, sabor e respeito ao meio ambiente.

“Embora seja uma fonte diária de nutrição e prazer culinário para bilhões de pessoas, a carne animal é pouco sustentável. Segundo Brown e O’Reilly, não será possível cumprir as metas do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas sem uma redução em massa na escala da pecuária.”

Alternativas saborosas e conscientes

Como alternativa, Ethan Brown fundou em 2009 a Beyond Meat.

“ Uma companhia que identificou os principais componentes da carne de origem animal para extrai-los de plantas. A empresa usa ingredientes como ervilhas, beterrabas, óleo de coco e amido de batata para produzir uma carne mais sustentável, mas igualmente saborosa”, destaca a matéria da ONU.

Brown explica a composição da carne criada por sua empresa.

“É composta por aminoácidos (a base das proteínas), lipídeos (gorduras), minerais e água. Os animais usam os seus sistemas digestivo e muscular para transformar a vegetação e a água em carne. Nós estamos indo direto na planta, dispensando o animal e fabricando carne diretamente”.

Novo jeito de produzir proteína

De acordo com a matéria da ONU, cerca de 80% das terras em atividade agrícola são usadas para a produção de ração, além da pecuária ser uma das maiores fontes de emissões dos gases do efeito estufa do mundo e o alto consumo de determinadas carnes ser prejudicial para a saúde. Esses fatores despertaram no fundador da Beyond Meat, a ideia de produzir proteína de um jeito melhor para o ambiente e para as pessoas.

“Essas quatro coisas continuavam voltando à minha cabeça: saúde humana, mudanças climáticas, recursos naturais e implicações para o bem-estar animal (provocadas) pelo uso de animais para (fazer) carne. E o que me fascinava era que você podia enfrentar todas essas preocupações simultaneamente, apenas mudando a fonte de proteína para a carne, de animais para plantas”, contou Ethan Brown à reportagem da ONU.

Para o empresário, citando como exemplo os Estados Unidos, em que o Milho, soja e trigo dominam a agricultura, os danos ao meio ambiente podem ser reduzidos se utilizarem o mesmo pedaço de terra para cultivar proteína direto das plantas. 

O diferencial do hambúrguer da Beyond Meat

A matéria apresenta uma pesquisa realizada pela Universidade de Michigan, que compara o hambúrguer da Beyond Meat e o de origem animal

“O hambúrguer da Beyond Meat usa 99% menos água e 93% menos espaço de plantio em seu processo de produção, além de gerar 90% menos emissões de gases do efeito estufa e consumir 46% menos energia”

De acordo com a matéria da ONU, o empresário acredita que, com medidas como a transição de áreas atualmente dedicadas à plantação de ração animal para safras de proteína que podem ser usadas diretamente para o consumo humano,  em forma de carne feita de vegetais, é possível promover o crescimento econômico sustentável em zonas rurais dos EUA e de outros países.

Avanços na produção de novas proteínas

O professor de Bioquímica e membro da Academia Nacional de Medicina, Patrick O’Reilly, também trabalha para que o uso de animais seja extinto na produção de alimentos. Segundo matéria da ONU, O’Reilly acredita que o consumo de proteína de origem animal pode levar a humanidade a um “desastre ecológico”. De acordo com professor de Bioquímica, atualmente 45% da superfície do planeta Terra é utilizada para pastagem ou para o cultivo de vegetais transformados em ração para a pecuária. A equipe de O’Reilly descobriu um ingrediente  que pode transformar a indústria de alimentos.

O heme, uma molécula que tem ferro e é encontrada em todas as células de animais e plantas. Ela é a responsável pelos sabores e aromas da carne “tradicional”. O time do pesquisador viu ainda que, adicionando um gene de vegetal à células de levedura, era possível produzir a substância em quantidades ilimitadas, com uma fração minúscula do impacto ambiental”, explica a reportagem da ONU

A partir daí criaram a Impossible Foods, que produz carne sem animais. A equipe de O’Reilly tem como meta promover a eliminação do uso de animais na fabricação de comida até 2035.

O diferencial do hambúrguer da Impossible Burger

“Em relação ao hambúrguer bovino, o Impossible Burger utiliza 75% menos água e 95% menos terras aráveis em sua fabricação, gerando 87% menos emissões de gases do efeito estufa”, aponta a matéria.

Para o empresário, o problema do consumo de carne não será resolvido pedindo aos consumidores para comerem leguminosas e tofu, em vez de carne e peixe, para ele, precisa mais – fazer a melhor carne do mundo. O empreendedor ressaltou que produzir a carne diretamente das plantas irá permitir que a produção tenha um valor menor além de diversificar os produtos e torna-los mais acessíveis.


Confira abaixo um vídeo em inglês dos vencedores da premiação:

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