Maior parte da “carne” em 2040 não virá de animais mortos, diz relatório


Muitas pessoas apostam que em alguns anos a indústria de produtos à base de plantas e cultivados em laboratório irá substituir majoritariamente a indústria pecuária. Essa aposta na tecnologia ganha cada vez mais ganha força.

Um recente relatório (confira aqui em inglês), da consultoria global AT Kearney, afirma que a maior parte da “carne” produzida em 2040 não virá de animais abatidos, 60% será cultivada em laboratório ou substituída por produtos à base de vegetais com aparência e gosto de carne.

O relatório chamado, em tradução, ‘Como a carne cultivada e as alternativas à carne rompem com a indústria agroalimentar?’, foi produzido baseado em dados e entrevistas com especialistas de mercado. Cita-se que o crescimento com a preocupação sobre o bem-estar dos animais, com os males da agricultura industrial e grande impacto ambiental da produção de carne convencional são fatores fundamentais para esta grande mudança.

Hoje a maior parte da terra, água e colheita é usada pelos animais para produzir carne, que então são consumidos pelos humanos, portanto, há uma eficiência muito maior das alternativas à este sistema de produção de carne convencional, pois elas diminuem uma etapa na produção, assim, devido à necessidade, o mercado deve se adaptar.

Segundo o relatório, “44% da produção agrícola global de hoje seriam suficientes para alimentar a maioria dos seres humanos […] uma dieta à base de plantas não apenas forneceria as mesmas calorias, mas também teria o mesmo valor nutricional se as colheitas fossem escolhidas de acordo para ter proteína suficiente. Assim, poderíamos alimentar cerca de duas vezes mais humanos com a colheita global de hoje se não alimentássemos o gado”.

Para os pecuaristas isto se tornará cada vez mais um beco sem saída, as soluções para aumentar a eficiência da produção convencional de carne estão quase esgotadas e não devem ser suficientes pelo simples motivos que não interrompem o método convencional de produzir carne, fazendo apenas melhoras incrementais: “Melhorar a eficiência dos métodos convencionais não é suficiente a longo prazo para lidar com os desafios prementes do nosso sistema alimentar”, revela o texto.

Recentemente o Fórum Econômico Mundial reforçou também a necessidade da mudança no sistema alimentar, e lançou um relatório reconhecendo que as proteínas “alternativas” devem ter um impacto favorável no mercado.

“Vale a pena notar que os novos métodos de biotecnologia vão perturbar não apenas a indústria da carne, mas toda a indústria alimentícia, já que produtos como leite, clara de ovo, gelatina e peixe podem ser criados com tecnologia semelhante.” Portanto, “Para ter sucesso no mercado de carne em 2030 e além, é necessário um investimento antecipado, já que cadeias de suprimento, instalações de produção e canais de distribuição devem ser construídos e adaptados às novas exigências do mercado. Outro fator-chave será quão bom e quão rápido um amplo portfólio de patentes e marcas sobre o assunto de novas substituições de carne vegana e carne cultivada pode ser estabelecido.”

Algumas grandes empresas, mesmo as do ramo pecuarista, estão percebendo a demanda e fazendo novos produtos para substituir a carne produzida convencionalmente, o que é também um grande sinal de mudança. Apesar disso, toda a indústria de carne convencional, que gera bilhões de animais e mais de 1 trilhão de dólares por ano, começa agora a ser desafiada e precisará se reinventar, para que no futuro, saia da demagogia e seja de fato sustentável, e o caminho prático é migrar para o mercado à base de plantas e para a carne limpa.

“A carne cultivada ganhará a longo prazo. No entanto, novos substitutos de carne vegana serão essenciais na fase de transição”

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