Metade dos bois mortos no Brasil apresentam lesões no corpo devido a maus-tratos


especialista em zootecnia diz que grande parte dos animais são maltratados durante a criação e o transporte

Em entrevista ao canal Giro do Boi, a pesquisadora, mestre e doutora em zootecnia, Ivanna Moraes disse que pelo menos 50% dos animais enviados aos frigoríficos apresentam contusões e hematomas devido ao mau cuidado que se tem com eles. A especialista ressaltou:

“Esses dados são reais, eles são assustadores. […] Se você não faz esse manejo de forma racional o animal vai ficar estressado, e o animal estressado tende a cair, a brigar mais, a se movimentar mais e aí vai provocar mais lesão na carcaça. Existe um dado de que pelo menos 50% dos animais abatidos no Brasil, hoje, têm a carcaça com pelo menos um hematoma e esse hematoma pesa em torno de meio quilo em média. […] Existe um problema de hematoma, de injúria, de contusão, nesse manejo pré-abate, mas é importante lembrar que 40% deste tipo de lesão na carcaça, ela acontece nos demais manejos dentro da fazenda.”

É válido salientar que muitos animais não apresentam apenas uma lesão, e que o transporte de animais por períodos acima de 2 horas aumenta o número de lesões consideravelmente, como é possível ver neste estudo. Basta uma pesquisa no google para obtenção de mais estudos com dados que revelam números até superiores aos 50% citados em lesões, que são apresentados não apenas em bois mas também em outros animais explorados, como é o caso dos porcos.

A entrevista abordou os motivos destas lesões ocorrerem em todo o processo relacionado antes da morte dos animais, no manejo, embarque, transporte e desembarque dos animais nos matadouros e frigoríficos, e foram citados problemas comuns como o despreparo dos funcionários, más condições nos transportes, porteiras acertando os animais, superlotações e fezes nos currais, entre outras coisas. O programa também revelou fotografias de cadáveres dos animais com grandes machucados devido aos maus-tratos.

Segundo Ivanna muitos pecuaristas não cuidam bem dos animais e é preciso mais cuidados na criação e transporte, mas é bastante difícil lidar com humanos:

“Mudar a mentalidade do ser humano que é a dificuldade”.

Se mudar o pensamento humano para tentar assegurar bem estar mínimo dos animais é difícil, tarefa ainda mais difícil é mudá-lo para respeitá-los integralmente.

Para além deste suposto ideal de bem-estar animal que a indústria pecuária diz perseguir, e que pode ser comprometido em diversas cenas comuns e lamentáveis da indústria de exploração animal – e que podem ser vistas nos documentários Terráqueos e Dominion, ambos com legendas em português -, há uma grande proposta filosófica que nos mostra que os animais, por serem conscientes e terem grandes semelhanças com nossa espécie – com a capacidades de expressar sentimentos e estruturas sociais -, não devem ser criados e usados pelos humanos para conveniência e lucro, haja visto que biologicamente não existe essa necessidade para os humanos sobreviverem nas sociedades modernas.

Tal exploração é intrinsecamente ligada ao sofrimento dos animais quando criados para serem confinados e mortos, afinal, matar um indivíduo pode ser considerado o inverso do bem estar, pois os animais expressam desejo em ser livres e não querem morrer, nesta perspectiva mais atual do tratamento com os animais não é difícil admitir que todo bife no prato e todo couro no vestuário tem embutido uma boa dose de crueldade.

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